Entendendo a direita brasileira!

17 17UTC Dezembro 17UTC 2008

Um bem público é como um jantar pra 100 pessoas, mas só fizeram 99 jantas, e ANUNCIAM isso antes da fila se formar.
Com medo de ser o último da fila, e ficar sem, todo mundo pega 300% do que comeria.
E ninguém lembra que cada um pode comer 99% do que comeria só, que não muda nada…
No final, 30 pessoas comem, 70 ficam sem nada, e 100 reclamam:

70 reclamam que não comeram
30 reclamam que é um cúmulo, porque “se eu não tivesse sido rápido, teria passado fome também!”

Está explicada a Direita!


Feliz 40 anos!

13 13UTC Dezembro 13UTC 2008

Sim, qualquer ser que saiba um pouco mais do que ler sabe que hoje, 13 de dezembro, completam-se 40 anos do AI-5. Ato Institucional número 5, pra quem não é tão familiarizado.

Eu não sou familiarizado, aliás. Não vivi aquela época. Não tenho conhecimento de nenhum parente ou conhecido direto que tenha sofrido – diretamente – os efeitos dele.

Mas, nem por isso, ele deixa de ser importante, ou tem os seus efeitos amenizados.

O fato é que, há 40 anos, o governo militar fazia com que os cidadãos perdessem seus principais direitos. No tempo em que se utilizava plenamente esses direitos.

O AI-5:

* fechou o Congresso Nacional por prazo indeterminado;
* decretou o recesso dos mandatos de senadores, deputados e vereadores. Estes ainda continuaram a receber parte fixa de seus subsídios;
* autorizou, “a critério do interesse nacional”, a intervenção nos estados e municípios;
* tornou legal legislar por decreto-lei;
* autorizou, após “investigação”, decretar o confisco de bens de todos quantos tenham enriquecido, ilicitamente, no exercício de cargo ou função pública, inclusive de autarquias, empresas públicas e sociedades de economia mista, sem prejuízo das sanções penais cabíveis;
* O Presidente da República, em qualquer dos casos previstos na Constituição, poderá decretar o estado de sítio e prorrogá-lo, fixando o respectivo prazo;
* suspendeu a possibilidade de qualquer reunião de cunho político;
* recrudesceu a censura, determinando a censura prévia, que se estendia à música, ao teatro e ao cinema de assuntos de caráter político e de valores imorais;
* suspendeu o habeas corpus para os chamados crimes políticos;

Felicidade é isso.

Mais felicidade que isso, só o artigo 5º do documento, que previa simplesmente a suspensão dos direitos políticos, com base neste Ato, importa, simultaneamente, em:

I – cessação de privilégio de foro por prerrogativa de função;

II – suspensão do direito de votar e de ser votado nas eleições sindicais;

III – proibição de atividades ou manifestação sobre assunto de natureza política;

IV – aplicação, quando necessária, das seguintes medidas de segurança:

a) liberdade vigiada;

b) proibição de freqüentar determinados lugares;

c) domicílio determinado;

Resumidamente, o grande trunfo do AI-5 foi oficializar, 40 anos atrás, tudo o que vivemos hoje.

Estranharão: “ué, mas hoje temos tudo isso…”

Temos mesmo?

Quatro décadas depois, somos bombardeados por informação inútil pelos mesmos que nos bombardeavam tentando convencer-nos (e em alguns casos, convencendo!) de que o AI-5 era necessário para evitar que os comunistas comedores de criancinhas dominassem o Brasil e o mundo!

Engraçado mesmo é como essa mesma quadrilha (Marinhos, Civita, Frias, Saad, Abravanel…) conseguiu a proeza de fazer com que pobre fosse contra o comunismo… conseguiram convencer que comunista era confiscar tudo de todo mundo. Esqueceram de dizer onde seria estocado tudo o que fosse confiscado, não?

Parece a inversão da famosa historinha que conta que, um dia, prometeram que o mundo mudaria de tal forma que todos ficariam ricos e andariam de carro importado com motorista. Até que um cidadão lembrou de perguntar quem seria o motorista de todo mundo quando “todo mundo’ tivesse motorista…

A inversão é mais ou menos essa: se o comunismo prometia não concentrar renda, era ÓBVIO que o proletariado, a classe média-baixa (grande maioria da população) seria o principal favorecido, ao dividir o bolo com os grandões. Mas, com medo de perder o quarto de visitas, o sofá de casa ou a televisão da sala para algum mendigo imundo, eram contra.

Esse post, mais informativo do que reflexivo, termina mais reflexivo: até que ponto realmente usamos esses direitos que dizem que temos? Até que ponto temos liberdade de informação, ação, política e ideológica?

Razão mesmo tinha Tim Maia, que (dizem) um dia, anotou essa:

“O Brasil é o único lugar do mundo onde puta goza, traficante usa droga e pobre é de direita…”


Caso entre primos

11 11UTC Dezembro 11UTC 2008

Ernesto acordou mais cedo que o normal. Sonhara com a prima, de novo. Sonhos que não poderiam ser contados aos familiares. Sonhos pecaminosos.

Ele já se sentia grandinho que chega pra lidar com esse tipo de sonho, mas a presença constante da prima, e a delicadeza com que ela lidava com ele impedia que ele tomasse coragem de dar um passo a mais.

A barreira entre o tesão e a vergonha era enorme. Intransponível. O sol já estava mais alto, os pássaros cantavam alegremente, quando a prima entrou no quarto dele. Radiante, com palavras positivas, como sempre fazia.

Deu-lhe “bom-dia”, serviu-lhe o café da manhã na cama, e aguardou até que ele terminasse para recolher a louça. Quando ela foi embora, ele fitou a bunda dela. Deu um sorrisinho maroto, algo entre envergonhado e sarcástico. Estava criando coragem.

A prima voltou, meia hora depois. Sentou na poltrona, ligou a televisão. Soltou o elástico que segurava seus cabelos claros. De costas para Ernesto, com a cadeira um pouco à frente e à direita dele, a visão era animadora: os cabelos caíam sobre os ombros e deixavam ainda mais sensual a cena, com um adicional de mistério que era praticamente irresistível.

A prima lhe servia o almoço quando, num momento rápido de coragem, Ernesto pegou-lhe o seio esquerdo. Ela levou um susto, deixou cair a bandeja com o prato. Olhou, ainda sem entender nada, mas sem reprovar. Esboçou um sorrisinho sacana…

- Ernesto, seu filho da puta! Eu sempre soube que tu queria me comer!

- Sempre! Demorei muito, né?

- Demorou, véio! Demorou demais… quem dera não estivéssemos aqui, nesse asilo, e tudo poderia até ser mais bonito…

Ernesto morreu mais ou menos um ano depois, aos 92. Sua prima, aos 87, ainda mora no mesmo quarto que o primo morava na época. Ainda tem sonhos picantes com aquele dia. E ainda pensa em, um dia, se entregar ao primo mais novo. Mas, ele não mora no asilo ainda…


Tarde demais?

2 02UTC Dezembro 02UTC 2008

Bom, não tenho notícias frescas, nada de serviço público ou útil que acrescente informação a tudo que aconteceu por aqui…

O fato é que, dentre toda essa poeira (literal e poeticamente falando), cabe a alguém pontuar algumas coisas bem relevantes, mas que costumam passar despercebidas em momentos como esse.

Embora possa parecer que não tenha nenhuma utilidade, o fato de ser decretado Estado de Emergência e/ou Estado de Calamidade Pública tem uma série de implicações. Para mim, para você, praticamente nenhuma. Para a prefeitura, para as empreeiteiras que mamam na teta fazem as obras públicas, implicações que fazem a diferença entre sobreviver e enriquecer pra caralho bastante.

Com o estado de emergência, a Prefeitura ganha um cartão verde para pagar qualquer valor por qualquer serviço, sem que haja necessidade de licitação. Um verdadeiro presente de Natal! Isso explica claramente os motivos das visitas de todo tipo de autoridade à região…

Embora o empresariado de Blumenau tenha um caráter claramente de direita, como é de praxe, é sabido que a senadora Ideli Salvatti desfruta de ótimo trânsito pelos bastidores das máquinas blumenauenses. Isso faz com que uma liberação de verba sem tamanho para um setor que movimenta grande parte da verba eleitoral no estado tenha grande influência. LHS, interessado numa cadeira no Senado Federal em 2010, não perdeu tempo e veio duas vezes em menos de três dias. Foi seguido por Ministros, representantes de tudo e mais um pouco, e até do próprio presidente Lula.

Além das empreeiteiras, as (grandes) empresas em geral também têm muito a lucrar com essa situação caótica. Empresas que têm capital em caixa, mas têm receio de aplicá-lo como têm feito (na China, especulando e, até agora, lucrando), terão um ótimo negócio através de financiamentos a juro praticamente zero.

Estamos falando de milhões, vários milhões. Acompanhando um telejornal durante a semana, divulgaram a informação de que apenas uma empresa pesqueira de Itajaí acumulava, por ter ficado uma semana sem produzir nada, um prejuízo de R$ 15 milhões.

Aqui, abrem-se dois pontos:

1. A confusão entre os conceitos “prejuízo” e “deixar de ganhar”. Uma coisa é beeeeeeeem diferente da outra. Quem não vendeu areia durante a tempestade, venderá depois dela. Deixou de ganhar. Mas, se a areia foi levada pelo rio, teve um prejuízo. Esse conceito têm sido propositalmente confuso quando divulgado pela imprensa…

2. Invertamos o raciocínio: a empresa citada arrecada R$ 15milhões por semana! Caralho! É muita grana! Traduzindo, ela tem uma receita de R$ 60 milhões, em média, ao mês, segundo a informação divulgada por ela mesma (ou seja, já maquiada de acordo com seu interesse). Uma empresa com essa receita precisa de financiamento público para cobrir uma semana parada?

O raciocínio é mais lógico e paupável se aplicado à uma realidade menor. Um trabalhador que ganha 600 reais por mês, se tiver um imenso prejuízo durante um determinado mês, e receber apenas 450, dependeria de financiamento público para conseguir sobreviver? Valores a parte, uma vez que o salário do trabalhador médio costuma mesmo ser uma miséria, todos sabemos que um mês apenas com um rendimento 25% inferior ao normal é plenamente contornável, cortando-se custos e administrando a dívida. Nem que seja contando com o próximo salário!

Uma empresa que gira R$ 60 milhões ao mês não tem capacidade de administração suficiente para ficar sem um financiamento público? Lembremos: financiamento público quer dizer deixar de investir em saúde, educação, segurança pública, tudo aquilo que tanto reivindicamos.

Apesar de todo o sentimento amargo proporcionado pela imenso número de mortos, feridos, desabrigados e desalojados, é imprescindível que isso seja acompanhado de perto. Dinheiro do povo, que tem que ser usado para refazer o que foi destruído, ampliar os serviços de saúde pública, entre tantas outras coisas… pra mim, financiar especulador não está nem perto do TOP 100…


Uma pitadinha de Humor Negro…

2 02UTC Dezembro 02UTC 2008

Ouvi hoje, no centro:

“Bem que me falaram: quando acabar a eleição, o Juninho vai tirar férias e depois vai botar as manguinhas de fora… quando ele voltar, preparem-se, porque a cidade vai estar virada numa m*rda…”

Será a presença de Nostradamus em Blumenau?