A metade da laranja?

10 10UTC Junho 10UTC 2009

Quem acompanha o blog sabe que eu adoro bater nos lugares-comuns. Esse eu não lembro de ter ouvido exatamente, num contexto bem claro, como foi o do último post. Mas, me veio à cabeça, em algum momento, num dia desses: são os solteiros que, em busca de consolo, dizem estar “atrás da outra metade da sua laranja”.

Nesse mesmo raciocínio, são inúmeros os outros comparativos sobre amores mal correspondidos. E todos eles têm em comum uma coisa: o pré-conceito de que ninguém pode ser feliz sem ter uma família de propaganda de margarina! Se o cara for solteiro, estará condenado ao fogo eterno. À solidão. A apodrecer sozinho para todo o sempre. Parece exagero, mas não é:

Invariavelmente, aquele que busca em outra pessoa algo que lhe complete é um ser incompleto! Não existe outra explicação mais lógica! Isso vale tanto para “a metade da laranja”, quanto para o famoso penduricalho de presentes adolescentes: cada um usa um pingente de MEIO coração! Isso quer dizer: sem você, não sou nada. Pode ser, a primeira vista, que soe romântico. Mas, eu considero DOENTIO, isso sim!

Você pode usar de figuras de linguagem para dizer que gosta, adora, ama outra pessoa. Que ela é perfeita (ainda que exagerando) para você, e que você quer amá-la eternamente, mesmo sabendo que isso não pode ser prometido nem se for até o fim do mês! Mas, dizer que a pessoa amada é a sua metade quer dizer que você não é você. Dizer que ela te completa quer dizer que, se tomar um chifre pé na bunda fora, esse cidadão ficará eternamente vagando pelo mundo, pela metade, incompleto, inacabado, sem poder ter um pingo de decência perante os outros e perante a si mesmo, a não ser que encontre OUTRA pessoa exatamente igual, que se encaixe onde a outra se encaixava.

Mas, peraê… se mais de uma pessoa pode se encaixar no mesmo “encaixe”, quer dizer que aquela não era a única… não é? Então, quer dizer que a poligamia poderia ser romanticamente aceita, condicionado ao fato de que todas as esposas/maridos têm que ser bem parecidos, com as mesmas manias, tradições e cultura (se é que isso fosse possível)? Mas, aí já complica demais, fica pra divagar noutro post…


Ser ou estar?

3 03UTC Junho 03UTC 2009

Hoje ouvi uma conversa que não era comigo. Uma mulher, jovem, com cara de beirar (pra cima) os 20 anos, se vangloriava à outra ter encontrado o “homem certo”. E a frase que me doeu os bagos ouvidos foi um estridente “é porque ele gosta de mim assim, pelo que eu sou”.

Porra, como alguém pode gostar de alguém pelo que o(a) outro(a) é? Isso é uma puta sacanagem! Ninguém é nada. Todos estamos alguma coisa.

Ilusões amorosas à parte, acho que ela me deu a deixa para dizer que é por isso que muitos relacionamentos não duram muito hoje em dia. E não é uma crítica à libertinagem ou molecagem, não. Muito casamento entre quarentões, cinquentões, acaba pelo mesmo motivo que acabam os namoricos adolescentes: as pessoas mudam!

E ainda bem que mudam! Já pensou se você, aos 50, 30 anos de casado, tivesse que aturar aquela pentelha mimada que era a sua esposa aos 15? Haja saco! Todo mundo atura uma ninfeta chatinha e mimada, mas não é pelo belo sorriso! Convenhamos! Quando a bunda dela cai, a graça vai junto. Uma velha chata e mimada nada mais é do que uma velha chata e mimada, e ninguém gosta de estar perto de uma pessoa assim!

O mesmo acontece com o sexo oposto, deixemos claro! O adolescente que só pensava em comprar um carro, aos 50, estará gastando o dinheiro que não tem para comprar um modelo melhor do que o do vizinho. Pelo mesmo motivo: tentar comer ninfetas arrumar sexo! Com a sua esposa? Desculpem, mulheres casadas, mas a resposta é NÃO!

Aposto que daqui há um ano, essa jovem já estará bem diferente do que ela é hoje. E o namoradinho dela, também. Que bom. Ainda bem. Tomara que sim, MESMO! Isso se chama evolução.

São poucas as coisas em comum entre eu com 18 anos, vivendo às custas dos meus pais, solteiro e fazendo faculdade, com o eu hoje, 24 anos, trabalhando e pagando as minhas contas. Meus interesses também, obviamente, são bem diferentes dos daquela época. Evoluí. O tempo passa. Vai tentar evitar isso, cara-pálida?

Não conheço a mulher que falou essa frase que tanto me provocou. Provavelmente nunca mais voltarei a vê-la. Quero, mesmo, mesmo, que ela tenha usado só uma força de expressão, ou uma corruptela da gramática para impressionar sua companheira de conversa, tentando impressioná-la…