Ernesto acordou mais cedo que o normal. Sonhara com a prima, de novo. Sonhos que não poderiam ser contados aos familiares. Sonhos pecaminosos.
Ele já se sentia grandinho que chega pra lidar com esse tipo de sonho, mas a presença constante da prima, e a delicadeza com que ela lidava com ele impedia que ele tomasse coragem de dar um passo a mais.
A barreira entre o tesão e a vergonha era enorme. Intransponível. O sol já estava mais alto, os pássaros cantavam alegremente, quando a prima entrou no quarto dele. Radiante, com palavras positivas, como sempre fazia.
Deu-lhe “bom-dia”, serviu-lhe o café da manhã na cama, e aguardou até que ele terminasse para recolher a louça. Quando ela foi embora, ele fitou a bunda dela. Deu um sorrisinho maroto, algo entre envergonhado e sarcástico. Estava criando coragem.
A prima voltou, meia hora depois. Sentou na poltrona, ligou a televisão. Soltou o elástico que segurava seus cabelos claros. De costas para Ernesto, com a cadeira um pouco à frente e à direita dele, a visão era animadora: os cabelos caíam sobre os ombros e deixavam ainda mais sensual a cena, com um adicional de mistério que era praticamente irresistível.
A prima lhe servia o almoço quando, num momento rápido de coragem, Ernesto pegou-lhe o seio esquerdo. Ela levou um susto, deixou cair a bandeja com o prato. Olhou, ainda sem entender nada, mas sem reprovar. Esboçou um sorrisinho sacana…
- Ernesto, seu filho da puta! Eu sempre soube que tu queria me comer!
- Sempre! Demorei muito, né?
- Demorou, véio! Demorou demais… quem dera não estivéssemos aqui, nesse asilo, e tudo poderia até ser mais bonito…
Ernesto morreu mais ou menos um ano depois, aos 92. Sua prima, aos 87, ainda mora no mesmo quarto que o primo morava na época. Ainda tem sonhos picantes com aquele dia. E ainda pensa em, um dia, se entregar ao primo mais novo. Mas, ele não mora no asilo ainda…
Escrito por pdepaulo
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